ITÁLIA: FAMÍLIA BUSCA CORPO DE PARENTE MORTO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA HÁ MAIS DE 40 ANOS

julho 3, 2018

Brasil . Justiça de Transição

Elena Castiglia, mãe de Libero Giancarlo Castiglia, buscou o corpo do filho até sua morte, aos 95 anos. Ele foi morto no contexto da Guerrilha do Araguaia, movimento que combateu a ditadura militar brasileira dos anos finais dos anos 60 até o início de 1970.

A família era imigrante no Brasil, vinda da Itália. O jovem se uniu ao movimento quando tinha pouco mais de 20 anos, assumindo o codinome “Joca”. Foi morto pelas Forças Armadas alguns anos depois, juntamente a 62 outras pessoas. Após o desaparecimento de Libero, os Castiglia retornaram à Itália, ficando cerca de 30 anos sem notícias do parente. Em 1997, receberam por correio um atestado de óbito. “Até aquele dia, ainda tínhamos esperança de encontrá-lo vivo. Pode parecer absurdo, mas nessas situações os parentes acabam se apegando a qualquer coisa, mesmo contra qualquer lógica (…) Em família, continuávamos a festejar datas como Natal e aniversários, mas evitávamos tocar no seu nome para nos proteger da dor. Mamãe não tinha mais lágrimas para chorar.”, diz Walter, irmão de Libero.

Até a atualidade, apenas dois dos restos mortais dos militantes foram encontrados, identificados e sepultados adequadamente. Foi afirmado pelos sobrinhos de Libero que a família se sente abandonada pelo governo brasileiro e que não irá desistir de conhecer a verdade sobre a morte do familiar.

De acordo com o governo brasileiro, a busca pelos restos mortais dos guerrilheiros não foi interrompida, e alegou que estão programadas três expedições ao Araguaia para este ano, começando em julho. “A posição oficial do governo brasileiro é de continuar enviando esforços para a localização, identificação e restituição de restos às famílias de desaparecidos políticos.”, informou o Ministério dos Direitos Humanos.

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