NICARÁGUA: POVOADO INDÍGENA TEM HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA A GOVERNOS AUTORITÁRIOS

junho 11, 2018

Justiça de Transição

O povoado de raízes indígenas conhecido como Masaya consiste em nove municípios autossuficientes no que tange à produção de alimentos, como grãos e verduras. Formado por antigas tribos chorotegas, há a conservação de uma forte relação comunitária. Segundo a historiadora Mónica Baltodano, “Há um espírito de solidariedade entre eles que é muito especial. Quando atacam seus bairros, sentem que toda a comunidade é atacada”.

Masaya foi o primeiro povoado a se rebelar contra a ditadura nicaraguense de Somoza (1936 – 1979), e também o primeiro a se rebelar contra Ortega. Independentes da guerrilha sandista, membros do bairro de Monimbó se manifestaram contra Anastasio Somoza em fevereiro de 1978. “Eles levantaram suas próprias barricadas para defender o povo das agressões dos guardas”, explica Baltodano.

Em junho de 1979, combatentes partiram de Manágua a Masaya, a fim de retomar suas forças. Ao perceber essa ação, a Guarda Nacional utilizou aviões para bombardeá-los, o que ficou conhecido como o “recuo”. Os moradores de Masaya, então, se juntaram à FSLN (Frente Sandinista de Liberação Nacional) e, unidos, derrubaram a ditadura em 19 de julho de 1979.

Nos dias de hoje, Masaya é reconhecida como responsável pela força dos protestos contra Daniel Ortega, além de pela sua resistência e rebeldia. Foi em um de seus municípios (Niquinohomo) que nasceu Augusto César Sandino, responsável pela formação do exército popular que enfrentou a ocupação americana na Nicarágua na década de 30.

Desde o início das manifestações contra Ortega, em 18 de abril de 2018, 138 pessoas foram mortas. “O governo quis arrasar Masaya porque é o exemplo de resistência cívica. Acreditam que arrasá-los vai acabar com os protestos no resto do país”, afirma Mónica Baltodano.

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